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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O fogo que na branda cera ardia


O fogo que na branda cera ardia,

Vendo o rosto gentil que na alma vejo.

Se acendeu de outro fogo do desejo,

Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dois ardores se incendia,

Da grande impaciência fez despejo,

E remetendo com furor sobejo,

Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve

Apagar seus ardores e tormentos

Na vista do que o mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos

De vós, e queima o fogo aquela nave

Que queima corações e pensamentos.


Luís de Camões

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